Acompanhar uma existência cansada de mundo, mas não só. Cuidar. Observar com atenção qualquer mudança de humor, de hábito, de gesto e de intenção. Oferecer colo em silêncio e lembrar da palavra, como se a palavra pudesse guardar o mistério da morte ou do sono.
O nome de meu pai revela o peso das histórias sob a névoa da morfina dissolvidas em poemas, anotações, cartas, manuscritos, fotografias, documentos, cronogramas, áudios e qualquer outro registro que possa dar corpo à uma ausência. Marcelo Labes observa o deslocamento da memória no toque, no cheiro, no cabelo que fica no ralo, no pedaço de unha aparada, na toalha molhada que o verão esquece de secar e mostra como a palavra é capaz de guardar aquilo que temos e que tememos.