Horacio Quiroga, escritor uruguaio, é um dos grandes fundadores do conto moderno e um dos autores mais importantes para a renovação da literatura hispano-americana em inícios do século XX.
A existência trágica está patente na sua obra, como se viver fosse andar sempre na companhia da morte. A sua vida foi marcada pela falta de meios económicos, matrimónios turbulentos e mortes acidentais, incluindo a do seu melhor amigo com uma bala disparada acidentalmente pelo próprio Quiroga. Experimentou, como muitos dos seus contemporâneos, o haxixe, o clorofórmio, o absinto, acabando por suicidar-se com cianeto.
Da sua obra destacam-se «Anaconda», «Contos de amor, loucura e morte» e «Contos da Selva», já publicados pela Cavalo de Ferro, 'los desterrados' e 'El desierto'.
Cada conto de Anaconda é um labirinto alucinante, no qual o homem se debate contra a morte, e onde o próprio leitor fica prisioneiro do pavor, da surpresa e do humor. Na mesma linha de Poe e de Maupassant, estes contos envolvem-nos num universo obsessivo onde o perigo da selva tropical, repleta de répteis e de animais exóticos, as febres e o calor asfixiante se unem aos delírios das sombras e dos pesadelos.